sábado, 15 de julho de 2017

Quando lembro, eu agradeço.


Quando lembro de cada nova muda de afeto que recebo e vejo florescer devagarinho no meu jardim,

a lembrança afasta as nuvens momentâneas e deixa o céu à mostra.

Faz um sorriso sereno acontecer em mim.

Acende uma música que a gente só consegue ouvir quando a palavra descansa.

Quando lembro que crescer é, no íntimo, um exercício solitário,

mas que não estamos sozinhos na sala de aula,

saboreio o conforto dessa recordação.

Somos mestres e aprendizes uns dos outros, o tempo todo.

Estudamos, lado a lado, inúmeras lições,

mas também criamos espaço para celebrar os mágicos momentos de recreio.

Às vezes, com alguma leveza, até descobrimos juntos um segredo libertador:

o aprendizado e o recreio não precisam acontecer separados.

Quando lembro o quanto as nossas vidas se entrelaçam amorosamente com outras vidas

nessa tapeçaria de fios sutis dos encontros humanos,

a gratidão emerge e se espalha, em ondas de ternura, por toda a orla do peito.

Diante de tantas incertezas, essa verdade perene:

o amor compartilhado é o sábio curador.

Quando lembro, eu agradeço.

E respiro macio.

Ana Jácomo

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