sábado, 1 de julho de 2017

Ela tinha sede.


Ela tinha sede.

Não desse tipo que se resolve com um copo d'água.

Não! A sua sede era na alma.

Queria experimentar todos os gostos, todos os sabores e todos os amores.

Queria todas as horas em um só segundo.

Saber de tudo, experimentar tudo, conhecer todos os lugares.

Queria não, precisava.

Amava e desamava com a mesma intensidade.

Tinha sempre muita dificuldade de fazer escolhas, já que não se permitia abdicar de nada.

Sentia pressa de viver e via tudo passando depressa demais.

A ressaca era sua companheira. Física e moral.

Mas gostava de sentir isso.

Gostava do desafio, do improvável, do perigoso e do proibido.

Não tinha tempo para o morno.

Ou congelava ou pegava fogo.

Sempre apostava tudo.

Como num jogo de Poker. Adorava o risco.

Perder e ganhar fazia parte da diversão.

Nem sempre era a primeira a chegar, mas sempre a última a sair.

Andava em bando. Andava sozinha.

Acordava com o Sol, dormia na chuva.

Chorava escondida, debaixo do chuveiro para nem ela mesma ver suas lágrimas caindo.

Não admitia sofrimento.

Quem a encontrava via sempre um sorriso.

Só o seu travesseiro sabia a verdade.

Muitas vezes comprou passagens só de ida.

Muitas vezes amou profundamente por uma só noite.

Muitas vezes bebeu além da conta.

Sentia saudades, amor e ódio em uma fração de segundo.

E depois passava. E depois voltava.

Tudo ao mesmo tempo.

Todos os sentimentos guardados dentro de uma garrafa.

E de repente ela virava. Tudo de uma só vez, como num shot de tequila.

Muitas vezes foi apontada, julgada ou mal compreendida.

E tanta gente pode dizer quase tudo a seu respeito, menos que ela não tenha vivido.

Eu, que tive a sorte de conhecê-la, atesto que ela sempre foi muito especial.

Talvez porque tenha entendido o sentido desta vida antes de todos nós.

Autor: RafaMagallhaes

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