segunda-feira, 22 de maio de 2017

Poeta invisível.



Ele anda nas ruas com a intenção de que olhem para ele e sintam a sintonia que carrega em sua alma. 
Em seus olhos oceanos de esperança, apesar dos dias difíceis ele sempre acredita que tudo pode voltar a ter cor, o arco-íris vem após as tempestades.

Não é de muito falatório, mas, seu silêncio não é um vazio de palavras, pelo contrário, é um dicionário dentro de outro.

Ainda que a escuridão permeie seus dias, sua luz é vinda do mais íntimo do ser, ele descobriu que tem um céu que gosta de habitar em sua alma.

Ele não é tão sereno, tem dias que explode em emoção, sua face apesar de ser tranquila e nos lábios logo ter um brando sorriso, sua mente parece nunca parar, nem enquanto dorme.

Os segredos que carrega são mistérios e só quem tem sintonia os descobre. 
Ele não é notado assim todos os dias, muitos passam, ele distribui o melhor que há, mas, logo se vão, cada um aproveita o tempo de ser feliz como quer.

Uma das grandes decepções de sua vida é tentar transmitir afago e carinho aos necessitados e perceber que muitas vezes eles estão mortos, vivem sem muita empolgação pela vida e pouca fé.

O poeta invisível está o tempo todo por aí, muitas vezes se perde, ele gosta também do avesso.

Talvez o fundo do poço careça de resgate e ele adora desafios.

De uma fortaleza grande sabe que tudo dá certo, ele já tem a resposta para o espetáculo final e não tem pressa alguma em ser realmente apreciado, acredita que o tempo de espera é também óleo de engrenagem e fixa os sonhos no alto.

Ele é simples, cheio das quinhentas respostas para tudo, sincero e invisível, gosta de questionar e se adapta muito bem às turbulências, tem uma dosagem de paz infinita - ganhou do céu, é merecedor e sabe do seu precioso valor (peça chave).

( Vitor Ávila )

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