sábado, 22 de abril de 2017

Na corrida de cada manhã


"Por favor, não deixe que a sua esperança no amor sincero seja nocauteada por aqueles que vivem a proclamar, aos berros, que o amor não passa de uma ilusão. 
Não permita, em hipótese alguma, que as mentiras recém-descobertas apaguem a sua fé na existência de gente sincera e disposta a lutar, com unhas e dentes, para que a verdade – a palavra sem máscaras e interesses egoístas – caminhe livre por aí
Não autorize que a sua capacidade de crer no carinho gratuito seja fraturada pelos pontapés dos que têm o peito oco e assassinada pela leitura das barbáries que, infelizmente, batem ponto no jornal de cada dia. 
E mesmo que todos ao seu redor se tornem seres desonestos, não se sinta menor por ser o único – ou um dos poucos – a começar pelo final da fila e a não enriquecer, corruptamente, do dia para a noite. 
Não se sinta covarde quando optar por engolir sapos, aprisionar xingamentos e, sabiamente, correr para bem longe de uma briga. 
Na corrida de cada manhã, junto com o suor que expele dos seus poros, para o bem da sua saúde, expulse também os mais perigosos venenos que alguém pode conter: o desejo de vingança e a inveja dos que têm mais. 
Toda manhã, depois do despertador e antes do pão na chapa, releia este texto em voz alta e, se não for pedir muito, vez ou outra, finja que não ouviu a sua nutricionista e mantenha o miolo todo no pão."

Ricardo Coiro

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