terça-feira, 18 de abril de 2017

Eu sou um pouco mais.




Eu sou um pouco mais.

Mais que isso que deixo que vejam. 

Um franzir de testa quando o sabor não é bom.

Um sorriso pelos olhos quando o prazer é real.

Um estremecer de lábios quando o frio diz que chegou, mas nada tão sério que duas voltas do cachecol não possam curar.

Também sou as lentes embaçadas do óculos pela fumaça que sai da caneca. 
Eu sou um pouco mais que tudo isso mas tudo isso eu sou também. 
É que gosto de cuidar de quem sou. 
Gosto de me preservar. 
Depois de viver algumas poucas, boas & péssimas, passei a entender que eu preciso cuidar de mim antes de permitir que alguém queira me ajudar. 
É por isso que me protejo. 
Normalmente, por exemplo, não apareço muito na internet. 
E hoje em dia isso é tão, sei lá, incomum, né? 
É preciso mostrar um pouco da gente todo dia. 
Só que eu prefiro mostrar o que me faz sentir algo - e olhe lá. 
Minhas entrelinhas, contudo, revelam mais do que parecem. 
Dá para desenhar um pouco do que sinto e de como minha sensibilidade funciona com pouco. 
Recheio meus dias com trilhas sonoras que suavizam minha rotina e, quando me flagram, da pra ver em fotos um pedacinho do meu coração. 
Receio em mostrar, mas se alguém parar para ver e reparar, verá traços de quem eu sou e verá como meu sorriso sem sorrir, daqueles sem gargalhar, dizem mais sobre mim do que se eu pudesse contar.

por Márcio Rodrigues.

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