terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Eu interminável


Quando parece que já sabemos direitinho quem somos,

um novo dia amanhece e traz hesitação:

fica claro que não,

que não existe essa história de estar completo,

finalizado – minha vida é uma estrada quase sem retas

e sem uma pista para acostar.

A cada dia, um fato vira memória,

uma pessoa volta do passado,

uma ilusão se desfaz, outra desperta,

o céu troca de cor,

um plano ganha avalista,

as vontades confabulam,

e eu vou assimilando novos elementos à minha identidade,

essa identidade que nunca se conclui.

O dia não é o mesmo de ontem e eu já não sou também.

Me deformo,

me reformo,

me amoldo,

me dilato e admito,

ao menos para mim,

que sou isso,

um eu sem fim.

Martha Medeiros

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