domingo, 25 de dezembro de 2016

Humanidade posta à prova


Diariamente somos levados a comprovar nossa humanidade.

Não a condição de ser humano enquanto espécie.

Quem nos dera fosse apenas isso.

Somos convocados a internalizar nossas teorias discursantes por meio de atitudes concretas, coerentes; dotadas de um mínimo de humanização prática.

Cada vez mais temos convivido com animais de estimação como entes queridos, e são.

Tenho uma filha de pelos e ai de quem olhar torto para ela.

No entanto, nossos comportamentos estão dissociados de nossos discursos.

Queremos matar a fome da Índia, evitar a matança de animais por toda parte, mas nos esquecemos de acalentar o humano que nos é mais próximo.

Já nos habituamos com as crianças pedintes e os velhos miseráveis.

Já consideramos normal ver as notícias que invadem nossas casas e nossas almas, mas não adentram mais o coração, de tão absurdamente habituados estamos de ver o péssimo como parte do cenário.

Levantamos bandeiras de proteção aos animais, à perereca amarela rajada do interior do interior do Afeganistão, mas não nos mobilizamos com a fome na porta da padaria.

Falta pão. Falta peito.

Falta gente.

Falta associar o discurso à ação.

Falta tudo enquanto fingimos que somos bons quando doamos alguns vinténs e nos lembramos do porteiro no natal.

Falta gente com coração de gente.

Falta alma na gente.

Cláudia Dornelles

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