terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Gente inconveniente


Você conhece uma pessoa e ela se torna chata na convivência.

Isso vale para qualquer pessoa que tenha a capacidade de abusar da nossa paciência.

Uma das maneiras de fazer isso é querer esgotar um assunto até o final.

O escritor e semiólogo italiano Umberto Eco tem um livro clássico, chamado Uma obra aberta.

O que ele quer dizer com o título?

Que todo texto, toda literatura, toda conversa é uma obra aberta.

Ela não se conclui, pois tem a possibilidade de apresentar outras janelas e outras portas.

Tem gente, no entanto, que tem um hábito inconveniente: não é capaz de mudar de assunto ou de variar na hora do lazer, da brincadeira, da convivência boa.

Quer ir até o fim em relação a qualquer tema.

O escritor irlandês Oscar Wilde dizia que sempre que alguém quer esgotar um assunto, esgota também a paciência do leitor.

Quem escreve ou debate precisa ser capaz de deixar perguntas e não apenas respostas.

E, mais do que tudo, não insistir em algo que levaria a um fechamento, a uma conclusão, ao esgotamento.

Aquilo se torna chato porque fica monótono e a monotonia nos perturba.

Uma das fontes da monotonia é tentar fechar uma conclusão como se ela fosse definitiva.

É inconveniente.

Mario Sérgio Cortella

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