quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Dança/ Soneto XVII


A Dança

Não te amo como se fosses rosa de sal,
topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si,
oculta a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como,
nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo
em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito
é minha tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda

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