sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Palavras matam, meu bem.


Palavras matam, meu bem.

Não duvide disso,

não queira testar se isso é verdade,

não pague pra ver,

não faça o teste,

palavras ferem,

aprisione a palavra que não preste,

não pronuncie palavras que matam;

ou se sentirás condenado antes mesmo de seres julgado.

Palavras matam, meu bem.

Matam em vida,

sem direito a despedida,

sem velório,

lágrimas nos olhos,

sem choro nem vela.

Não dá tempo pra nada disso.

Sei o que digo.

E digo, como vítima,

não como algoz.

E digo mais: nada pior que uma palavra feroz.

Renasci, porque perdoei os meus agressores.

Mas não é fácil perdoar

e passar por cima dessa morte

e de suas dores.

Jamais cultive navalhas em sua boca,

por favor, cultive flores.

 Laura Méllo

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