segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O que eu tenho não é meu, está comigo apenas.


O que me tiraram já não me serve.

Prefiro o que permaneceu e o que conquistei posteriormente.

O que eu buscava existe, mas sempre procurei onde não estava.

O que eu tenho não é meu, está comigo apenas.

O que eu quero hoje posso não querer amanhã, e isto me tira a ansiedade.

Sei somente sobre o que sinto, principalmente quando deixo de sentir.

Conheço mais sobre o desespero através do alívio.

Conheço mais sobre pessoas quando elas estão distraídas de suas máscaras sociais.

Por isso, para minha transparência, distraio-me. Exponho-me.

A reação do Outro a mim nos revela: conheço mais sobre nós dois (dele, pelo que não suporta ou seduz, de mim pelo que provoco sendo-estando).

Se a vida é trágica para alguns, também conheço esta face dela, apenas não me apropriei do trauma.

Se a vida é dádiva para outros, me identifico.

Se as coisas não estão fluindo como eu gostaria, tenho a oportunidade de desenvolver meu raciocínio para observar as coisas por outro ângulo.

Quando não há mais para onde correr é quando se aprende a voar.

Marla de Queiroz

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