segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Saia da condição de vítima


Eu passei grande parte da minha vida escutando a frase-feita que mais sucesso faz no universo maravilhoso das crenças falsas: não escolhemos por quem nos apaixonamos.
É verdade, não escolhemos.
Podemos nos apaixonar por gente que não vale um miligrama do que come.
É mais assustador ainda considerar que nós mesmos podemos ser estas pessoas na vida de outro alguém que também sofre por nós.
Mas em qualquer um dos casos, eu sou inclinado a concordar que, de fato, não escolhemos por quem nos apaixonamos.
Paixão, como o nome diz, vem do grego pathos, o mesmo termo que dá origem a “patológico”.
A paixão é prima-irmã da doença.
E ninguém escolhe se apaixonar, tanto quanto não escolhemos ficar gripados ou pegar caxumba. Acontece.

Epa! Mas então por que será que eu digo que isso faz parte do universo das crenças falsas?
Ora, não é preciso muito esforço para perceber que por mais que não escolhamos por quem nos apaixonamos, esta “condição de vítima”, esta “condição passiva” não é de forma alguma fatídica ou determinante.
Se percebemos que nos apaixonamos pela pessoa errada, ainda assim temos escolhas.
Temos a escolha, por exemplo, de não querer contato.
Temos a escolha de, mesmo apaixonados por quem não deveríamos estar, racionalizarmos minimamente o processo de modo a não nos colocarmos à mercê de quem nos faz mais mal do que bem.
Não estou falando de eventuais sofrimentos.
Qualquer relacionamento saudável tem sua cota de sofrimento.
Estou falando de apaixonar-se por alguém que, por diversas razões, se revela destrutivo para sua vida.
Há muitas razões para isso: a pessoa pode ser comprometida e ficar te enrolando infinitamente; a pessoa pode mentir tanto que nem sabe mais discernir o que é verdadeiro do que é falso; a pessoa pode ter um ciúme digno de figurar numa peça teatral de Shakespeare (e, acredite, o ciúme shakesperiano não tem nada de bonito).
Em suma, não irei aqui dizer o que é uma pessoa que nos faz mal.
Nós sabemos quando uma pessoa nos faz mal.
E ela pode nos fazer mal mesmo sendo uma boa pessoa.
Basta que a paixão não seja correspondida.
E, convenhamos, ninguém tem culpa de não se apaixonar pela gente, não é mesmo?
Acontece.


Alexey Dodsworth

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