segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Hoje trouxe o papel e a caneta para dentro do avião.


Hoje trouxe o papel e a caneta para dentro do avião.

Confortável em minha poltrona fica mais fácil enxergar.

Passageiros a bordo, turbinas ligadas, portas em automático.

A aeronave e a minha imaginação começam a decolar.

São corações tão distintos, mas voando para um mesmo destino.

A criancinha lá na frente chora com o barulho.

O senhor um pouco mais atrás dorme tranquilamente.

A aeromoça sorridente demonstra gostar do que faz.

O garoto ao lado do pai enxerga desenhos nas nuvens.

A morena de olhos profundos parece estar deixando um grande amor para trás.

Tem quem esteja em voo pela primeira vez e tem quem faça isso todos os dias.

Tem gente que sorri por estar indo.

Tem gente que chora com vontade de ficar.

Tem quem passe medo, tem quem ache o máximo.

Eu apenas observo.

Vejo o empresário de gravata, a ruiva com tatuagens nos braços, a vozinha de sorriso bondoso e o rapaz de fone nos ouvidos.

Vejo a poltrona vazia ao lado da mulher mais bonita do voo.

Queria eu ter tido a sorte de me sentar ao lado dela.

Queria saber mais coisas além do nome estampado no colar.

Acho que conseguiria fazê-la sorrir.

Queria ter alguém pra conversar.

Aquele olhar me lembrou um amor que ficou no passado.

Turbulência na aeronave e dentro do meu coração.

Através da janela vejo o mundo passando devagar.

Olho pra baixo e me sinto pequeno.

Olho para cima e contemplo um Deus imenso.

São minutos que unem pessoas e vidas totalmente distintas.

Daqui a pouco é hora de pousar e cada um vai seguir o seu destino.

A vida é mesmo esse voo infinito.

A todo instante várias almas se cruzam sem ao menos se tocarem.

Segue a jornada.

Bagagens nas esteiras, abraços na chegada, paz no coração.

Um dia desses eu ainda decolo para nunca mais voltar.

Rafael Magalhães

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