segunda-feira, 4 de julho de 2016

Fiquei com preguiça de você


Eu pensei que isso não ia acontecer comigo.
Sempre achei esse negócio de ter preguiça de alguém meio estranho.
É que na minha coleção de histórias ou eu gostava muito de alguém ou só não gostava, não havia outro sentimento.
Mas como essa vida capricha até demais, isto é, quando você acha que sabe de tudo e que nada é novidade, lá vem ela e te joga na cara o quanto você não sabe de nada.

Fiquei com preguiça de você.
Só que diferente de muitos outros sentimentos que a gente não consegue explicar, nesse caso eu consigo identificar quando tudo começou.

Lá no começo, quando a gente saía e vivia alguma história, eu não pensava assim.
Era tudo muito legal pra mim.
Gostava de te ter na minha rotina e sempre lembrava de você por onde eu passava.
Eu estava realmente gostando de você. Esta é a verdade.

E parte de mim acreditava que você gostava também, afinal, você sempre topava fazer coisas comigo.
A gente não tem bola de cristal para adivinhar quando alguém gosta ou não da gente, né?
Mas dá para gente perceber alguma coisa.
Havia uma certa reciprocidade, ou se não havia, você enganava muito bem.

As coisas continuaram assim até começar a te ver sumir dos meus dias.
Até começar a não ter mais minhas mensagens respondidas, até começar a não ter mais meus convites aceitos, do contrário, muitas desculpas novas.
Comecei a perceber que você estava saindo da minha vida aos poucos, mas até aí tudo bem.
Pessoas entram e saem das nossas vidas todos os dias.
Nada muito diferente do que já vivi.
O que passou a me incomodar, porém, foi que você reaparecia quando queria.
Ou seja, sabe-se lá o que vivia, mas havia dias que você me chamava para fazer algo.
E eu ficava em dúvida se aceitaria ou não, mas como no jogo do amor eu sou um péssimo jogador, eu sempre aceitava.
Só não era mais igual como já foi um dia.
A gente não se empolgava mais.

E, finalmente, entendi que fiquei com preguiça de você.
Que isso não era raiva, mas era algo como “’sério que é você, de novo, falando comigo?”, eu pensava; algo como “lá vem aquele papo de ‘desculpa sumir, a vida tá corrida’”.
A gente sabe quando sente preguiça de alguém quando preferimos passar a noite abraçado com um controle remoto mas não com esse alguém. Isso é preguiça.
É quando a gente passa a não ter ânimo pra falar com alguém.
E você fez nascer isso em mim.
Não queria te responder mais.

Cansei de ver seus posts.
Cansei de ver suas fotos.
Cansei de ver seus snaps.
Cansei de ver a vida que você atualizava.
Parei de te acompanhar.
Cansei de tudo isso porque cansei de você e perdi as forças para estender uma conversa depois do “tudo bem e com você?” que, eventualmente, te respondia ao me chamar no chat.
Fiquei com preguiça de você.
Não tenho saco. Não tenho tempo. Não tenho vontade.
Não tenho raiva, porém. Não tenho ódio, nem muito menos te desejo mal.
É que você deixou de ser tudo para ser tanto faz.
Você deixou de ser prioridade para ser opção.
Deixou de ser especial para ser normal.
Deixou de ser você para ser um contato.
Fiquei com preguiça de você.
E o mais louco, acho que é irreversível.
Raiva passa, preguiça fica.

Márcio Rodrigues.

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