quarta-feira, 22 de junho de 2016

Vida de pluralidades


Jamais me prendas em um lugar só.
Nunca fui mulher de singularidades.
Um objetivo.
Um destino.
Uma casa.
Um amor.
Uma decisão.
Uma palavra.
Um beijo.
Um olhar.
Uma sintonia.
Não, comigo não.
Quero pluralidades.
Quanto mais opções melhor.
Afinal, não vim a esse mundo pra ser uma pessoa só e quando morrer, vou morrer sendo todas que quiser.

No ranking das minhas maiores paixões, o mundo ocupa o primeiro lugar.
Ele é o que mais me encanta, que mais me fascina e nunca para de me surpreender.
O tamanho dele chega a amedrontar os inocentes.
São 6 continentes com 193 países e 38.000 cidades.
Entre esses dados existem coisas que nenhuma ONU poderia calcular com precisão; são as inúmeras culturas, religiões, idiomas, tradições, histórias, filosofias, ideias, valores e pensamentos.
Agora me diga como é possível um ser humano se acomodar em um lugar enquanto existem pelo menos mil que ele sequer sabe da existência?

Cada um sabe de si e eu falo por mim.
Eu vim pro mundo e não pra comodidade.
Eu vim pra conhecer, saber, questionar e criar lembranças.
Eu vim pra sentar no aeroporto e aguardar a chamada de embarque.
Vim pra pular de cidade em cidade.
Vim pra juntar moedas e comprar uma passagem.
Vim pra montar minha playlist com horas e horas de música sem me importar com quantas vezes eu vou ter que repetir as mesmas.
Vim pra chegar em um lugar totalmente novo, fora dos meus padrões, e tirar dele o melhor que eu conseguir. Vim pra participar de todas as divisões sociais.
Testar um pouco da vida de cada povo.
Vim, por fim, pra ser todas as nacionalidades possíveis, falar todos os idiomas que puder, conhecer todos os deuses que tiverem pra me mostrar, porque nunca fui uma mulher singular, vou viver todas as vidas em uma e ainda assim me faltará tempo.

“E quando tu tiveres uma família, como vai ser?”.
Bem, quando eu constituir uma família é por que já absorvi do mundo tudo o que poderia absorver.
Vai ser o momento da minha vida em que eu vou me sentir pronta pra dar amor às pessoas que serão meu laço eterno.
Não posso prometer que vou cumprir a tarefa de construir uma casa, ter dois filhos, um cachorro e um apartamento na praia.
Não posso dizer que vou dar a vida tranquila, planejada, firme e dos sonhos pra minha família.
Se depender de mim, eu quero mostrar à eles – tanto meus filhos como ao meu marido – a delícia de viver no mundo.
Dizem que o lar é da gente é onde o coração está, e se isso for verdade, quero que nossos corações percorram do Brasil ao Japão, mas que se mantenham juntos.
Quero fazer com que tenhamos amigos na Bélgica, na África, na Espanha e no Canadá.
Quero tomar chá das 17h como na Inglaterra e jantar escorpião como os chineses.
Se eu morrer sabendo que dei a eles a oportunidade de serem quem quiserem ser, estarem onde quiserem estar e pensarem pelo mundo inteiro e não só por si, bom, aí morrerei feliz.
Porque fiz não só da minha vida uma pluralidade, mas da deles também.

 

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