sexta-feira, 3 de junho de 2016

Nada é definitivo


A gente é tipo onda e areia, né?

Se afasta e se reencontra como se desconhecesse outra ação.

Tem dias que nossa distância parecem meses e quando a gente volta foram apenas minutos de descanso um do outro.

E então a gente se senta no sofá e revê o capítulo daquela série, que já assistiu trinta vezes e sempre ri.

A gente se permite partir e (se) quando volta é porque o sentimento é mais forte do que as fragilidades de ser humano.

A gente se pausa e vai viver sozinho, porque tem sonhos que o outro não acompanha porque não tá a fim.

Ou porque tem que realizar os seus próprios.

E a gente entende isso um no outro.

Porque amor é mais do que presença física.

Amor é quando a memória de uma tarde nossa balançando na rede deixa um sorriso nascer.

É uma alegria que preenche o corpo apesar de tudo. De tudo.


A gente já pensou que a felicidade fossem momentos dramáticos, como aqueles em que os casais inventam para perguntar se querem ficar juntos pra sempre.

Ou a festa que dão para celebrar o amor, que vai ficar dentro de um álbum de fotografias caro e esquecido no armário da sala, embaixo das toalhas de mesa.

Mas a felicidade é o cheiro do seu travesseiro que viaja comigo sempre que volto pra casa e preciso dormir na minha cama.

E também é aquela vez que você chegou da rua com o vinho que eu gosto dentro da sacola.

E quando eu brigo com você, porque você não consegue sair do quarto sem deixar as gavetas fechadas.

Felicidade são os momentos que fazem falta, quando o dia-a-dia deixa de existir.

Se desta vez vai dar certo, a gente não sabe.

O que a gente sabe é que está junto, sem aquele roteiro burocrático que o mundo cobra.

O que a gente sabe é que consegue passar um final de semana na companhia um do outro sem enjoar.

O que eu sei é que ficar do seu lado sem fazer nada é melhor do que o tempo que eu tenho sozinha (e você sabe o quanto adoro ficar comigo, em silêncio, um livro ou um filme bacana).

A gente sabe que hoje dá certo.

E se um dia a gente decidir (de novo) que não.

Que não é.

Que por enquanto não vai ser.

Que só mais tarde.

É porque nada é definitivo, assim como a gente.


Priscila Nicolitelo

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