sexta-feira, 24 de junho de 2016

Amor é amor


Uma história qualquer, um rumor bobo sobre alguma ex, acabou com seu namoro.
Ela estava radiante mais uma vez.
O cabelo brilhava, o sorriso denunciava.
Ela estava namorando a vida.
Era impossível que não chamasse atenção, até mesmo porque ela não é o tipo de mulher que passa despercebida.

Foi pra pista.
Dançou, requebrou, fez e aconteceu.
Estava brilhando no seu espaço quando ele chegou, com cara de quem comeu e não gostou, logo disparando:
– Quero falar com você.

Na verdade, ela esperou por aquele momento.
Ali parada no meio da pista a sua cabeça foi longe, lembrando de cada lágrima que derrubou na companhia das amigas.
Lembrou das noites em claro, dos brigadeiros que a socorreram no momento de desespero.
Ali, sem dizer nada, lembrou das broncas também.
Do quanto suas amigas lhe xingaram por ter caído em mais uma dessas furadas.

Estava atônita e pôde lembrar da noite em que ele simplesmente a usou e depois virou para o canto e dormiu.
Lembrou do aniversário que ele esqueceu, das palavras grosseiras no momento de estresse.
Ah, com os olhos rasos de água, lembrou ainda de quando em uma discussão ou outra, gritou, foi agressivo nas palavras. Pois é.
Lembrou de como ele foi moleque e nunca conseguiu ser homem, então se virou e prontamente o respondeu:
– Eu não tenho nada pra conversar contigo.

Mas ele estava magoado demais, sentido demais, para desistir tão facilmente.
Afinal, era sua gatinha que estava ali, sendo o centro das atenções e atraindo olhares e mais olhares.
Era como se de repente um murro chamado reviravolta tivesse lhe atingido.
Então, ela já não era só mais uma, ela era sua.
Com o coração apertado e a mente aflita, tentou pegá-la pelo braço e continuou:
– Não adianta fugir, você sabe que a nossa história não vai terminar assim.

Só que ali, ele não tinha se dado conta, mas já eram opostos.
Ele não entendeu que abusou da mulher que muitos querem e não tem.
Ainda não havia entendido que extrapolou e já eram opostos, porque ela vivia em um outro universo.
Ela vivia uma nova história, onde se tornou protagonista e autora.
Ela vivia um novo momento, porque entendeu que há males que vem para o bem.

Com um sorriso contagiante, soltou-se dele e educadamente lhe respondeu:
– Sim, nossa história não vai terminar assim, porque ela já terminou no dia em que você abusou. E tem mais, eu posso ser de todo mundo, mas sua não!

Jogou o cabelo e voltou pra pista.
Naquele instante alguém interessante com um sorriso simpático já esperava por ela.
Ele ficou parado por alguns segundos, seus olhos ficaram rasos de lágrimas.
Ela se jogou na pista e entendeu que podia namorar a vida, ser amante da felicidade, se apaixonar desesperadamente pela alegria e casar com os prazeres que lhe completavam a alma.
Foi esse então o começo de mais um de seus romances e mais uma de suas tórridas paixões, a qual intitulou de “amor próprio”!

Thamires Benetório

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