terça-feira, 10 de maio de 2016

Noite de festa


É noite de festa na cidade e os corações estão eufóricos.

Os carros, lotados de sorrisos, cruzam as avenidas com um único destino.

Hoje tentaremos viver a melhor noite de nossas vidas e, se não der certo, no final de semana que vem a gente tenta de novo.

Tem quem veio de muito longe.

Tem que more bem pertinho.

Tem gente trabalhando, mas a grande maioria veio mesmo para se divertir.

Alguns estão aqui para tentar se perder.

Outros, querem se encontrar.

Há quem tenha vindo esquecer um antigo amor.

Outros, para encontrar um novo.

Eu, por incrível que pareça, gosto de vir para observar.

Nessas horas me isolo da multidão e deixo a mente viajar.

Acho curioso como todo mundo aqui parece feliz.

É claro que não é bem assim.

Quem vê sorriso, não vê coração.

Quem sabe a euforia momentânea ajuda a superar a tristeza do dia a dia.

As luzes, na imensidão do céu, indicam o local do paraíso.

As pernas, ainda jovens, estão prontas para dançar a noite toda.

As bocas querem sorrir.

Os lábios querem beijar.

Os casais de namorados provam que o amor também pode ser divertido.

As caixas de som pulsam na batida dos corações.

Cheios, partidos, vazios, loucos e descompassados.

Corações tantos, de todos os tipos.

Roupas muito iguais, medos e desejos diferentes.

Há quem venha para dançar e há que use essa desculpa quando convém.

E cada um se diverte a sua maneira.

Felicidade nos copos, nas latas e embaixo da língua.

Eu, medroso que sou e careta que sempre fui, prefiro não experimentar.

Também não estou aqui para julgar ninguém.

Que os nossos filhos não saibam, mas a gente já fez muita merda nessa vida.

Ainda bem que deixamos os problemas antes de passar pelas catracas.

Por algumas horas viveremos em um mundo paralelo.

O país está em crise, mas o dinheiro para o ingresso a gente sempre tem.

E se o mundo for mesmo acabar, que seja em open bar.

Agora é tentar aproveitar cada segundo.

O tempo aqui corre a passos largos.

Não se esqueça de postar a foto para provar o quanto a sua vida é divertida.

Daqui a pouco vem o sol trazendo a dura realidade.

É fim de festa e hora de voltar ao mundo real.

Na saída, casais de desconhecidos indo embora de mãos dadas.

Juras de amor com prazo de validade.

Pernas desobedientes, boca seca, estômago ruim, fala alterada.

Muitos já saem planejando a próxima.

Alguns prometem nunca mais voltar.

Outros, nem se lembrarão de como saíram.

Deixe estar.

Quando a ressaca moral acaba, a gente então só recorda do que foi bom.

Sendo assim, teremos muito do que lembrar.

Rafael Magalhães

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