segunda-feira, 21 de março de 2016

Me abraça?


Só fica aqui.
Fica aqui e me deixa deitar no teu peito para eu ver se ainda sei contar as batidas que seu coração dá.

Agora não é sobre sexo ou beijo, é sobre abraço.
É sobre tudo que a gente pode viver dentro de um abraço.
É sobre o quanto eu me sinto bem dentro de um abraço e sobre o quanto eu gosto de abraçar.

Se nós dois fizermos bem um ao outro, nós dois venceremos no início, meio e fim.

Me abraça e fica aqui por um tempo, sem pressa de ir embora.
Eu sei que tem um monte de problemas para resolver lá fora, sei que é muito simples reduzir a vida a abraços, mas de todo esse resto eu não quero saber agora.
Eu só quero perder as horas dentro do seu abraço.

Eu me sinto tão mais seguro dentro de um abraço.
Parece um escudo a me proteger das energias ruins e, ao mesmo, uma fortaleza para erguer a peteca que eu não consigo segurar.
Por essas e por outras, me abraça?

Me abraça pra eu te abraçar também.
Ninguém consegue abraçar sozinho.

Me abraça pra eu fazer com você o que eu gostaria que fizessem por mim, afinal, eu sei bem como fazer bem a outro alguém.
Vem aqui pra eu te abraçar e fingir que o relógio parou, só pra você se sentir melhor do peso todo da vida em suas costas.

Me abraça do seu jeito.
Seja colocando um abraço acima de um dos ombros ou dos dois pela cintura.
Ou até com um braço só.
Me abraça no trovão e no nascer do sol.
Deixa eu me enroscar nesse nó que é o nosso abraço.
Respira devagar em meu pescoço.
Cola teu coração no meu.
Deixa eu colocar uma das minhas mãos na sua nuca e circular meus dedos em seu cabelo.
Pode ser em pé, pode ser sentado, pode ser deitado.
Pode ser de qualquer jeito, desde que esse jeito seja um abraço.

Eu não sou quem vai resolver seus problemas, mal sei lidar com os meus.
E talvez isso seja algo que descobrirá sozinha, mas te garanto que um abraço nosso por dia, um meu para você, um seu pra mim, um abraço de nós dois, te garanto que tudo isso pode fazer a gente enfrentar melhor a parte ruim de viver.
Um abraço que combine o nosso cheiro.

Talvez você não entenda, talvez nem eu mesmo entenda e talvez a graça seja não entender nada mesmo. Não é sobre entender algo, é sobre fazer algo.
Não quero te apontar o dedo e dizer o quanto falhou, não quero esgotar sua energia que a vida tanto suga, eu quero que a gente se abrace.
Quero falar por detrás do seu ouvido.
Quero a beleza cega de um abraço de olhos fechados.
E quero por nós dois.

Me abraça?
Eu quero te abraçar mais.
Quando a gente se encontrar, quando a gente se despedir, quando a gente dormir, quando a gente se esbarrar no corredor entre a sala e o banheiro e quando a gente viajar.
Eu quero te abraçar.

Não quero a vida sem o grande valor do pouco que é um abraço.



Márcio Rodrigues.

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