segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A gente aprende a viver sem


É que no começo parece que a vida vai parar, principalmente porque as horas parecem não colaborar, tudo passa mais devagar e a gente até pensa em maneiras para evitar levantar, como se faltar no trabalho fosse melhorar.
A gente tenta de tudo mas no fundo sabemos que tudo que fizermos só vai, no máximo, adiar o inevitável.

O peso de recomeçar parece ser insuportável.

Como que a gente vai continuar?
Como vou passar naquela rua de novo sem lembrar?
Como que faz para pular essa fase e tudo ficar bem?
A gente se pergunta um milhão de coisas.
A única coisa certa, porém, é que no fim a gente aprende a viver sem, daquele mesmo jeito que a gente vivia antes com.

A gente aprende a continuar.
A gente aprende a passar naquela sem lembrar – ou aprendemos a lidar com a lembrança.
A gente aprende que pular a fase não faz a gente ser melhor.
A gente encontra, dentro da gente, respostas de cada uma das um milhão de perguntas que a gente se faz.

A vida é única escola onde ter aula vaga não é legal.

Porque é preciso receber cada um dos dias do jeito que eles aparecem pra gente.
É preciso aceitar que tudo está uma bosta para que tudo volte a ser gostoso de novo.

A gente aprende a viver sem um monte de coisas e pessoas nessa vida, mas a única delas que não podemos viver sem somos nós mesmos.
A gente não pode esquecer de quem somos, do que gostamos e de onde queremos chegar.
Não podemos esquecer de quem gostamos e de quem gosta da gente; dos blogs que gostamos de ler

Por isso, fica bem, tá?

Não dê forças para dor.
E sabe como você faz isso?
Falando menos vezes sobre ela.
Quanto mais você fala sobre o que não gosta, mais força isso vai ter dentro de você.
É preciso entender que tudo tem uma data de validade, só que às vezes a gente não quer ver, né?
Você come comida vencida?
Então por que fala de coisas vencidas?

A gente aprende a viver também sem a necessidade de ter.
Ter alguém, ter sucesso, ter um carro, ter uma roupa, ter uma balada, ter que ter.
A gente aprende.
Quando a hora chega a gente aprende que esse negócio de “um dia a hora chega” é verdade.
Quando é dia seguinte a gente aprende que o dia seguinte também chega e faz bem mesmo.
Quando uma nova pessoa nos elogia, a gente aprende a deixar pra lá os elogios daquelas velhas pessoas.
É mais fácil do que parece ser e do que essas palavras podem explicar.

É só você colocar na cabeça que, um dia ou outro, vai chegar uma hora que a gente aprende a viver sem.



Márcio Rodrigues.

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