sábado, 12 de dezembro de 2015

Liberdade, que estais em mim, Santificado seja o vosso nome.


Liberdade

— Liberdade, que estais no céu...

Rezava o Pai-Nosso que sabia,

A pedir-te, humildemente,

O pio de cada dia.

Mas a tua bondade onipotente

Nem me ouvia.

 — Liberdade, que estais na terra...

E a minha voz crescia

De emoção.

Mas um silêncio triste sepultava

A fé que ressumava

Da oração.

Até que um dia, corajosamente,

Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,

Saborear, enfim,

O pão da minha fome.

 — Liberdade, que estais em mim, Santificado seja o vosso nome.

 Miguel Torga,

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