sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Um texto sobre a gentileza


Gentileza.

Palavrinha leve, soa fresca como brisa de verão.

Alimenta a boca de quem fala e aquece os ouvidos de quem escuta.

Quatro sílabas de humanidade genuína, na sua mais pura forma.

Gentileza, ao contrário do que pode nos parecer hoje em dia, não é ato de outro mundo: é aquilo que nos faz mais irmãos, mais iguais, mais humanos.

Gentileza não é puxar o saco.

Não é dar mais importância ao outro do que a si mesmo.

Não confunda.

Gentileza é se doar para se sentir completo.

É amar para se sentir, simplesmente, capaz de doar seu amor sem esperar coisa em troca.

É estender a mão e, quando nos for estendida, é não pedir o braço.

É olhar o mundo com bons olhos e incentivar que outros também façam isso.

É levar flores em um momento difícil ou, simplesmente, levar companhia.

É servir uma xícara de café de bom grado.

Gentileza de verdade não é obrigação, é virtude, é colher de chá.

Na gentileza não pode haver cobrança, isso desvirtua seu sentido.

Gentileza é dar e não esperar o troco, muito menos devolução.

Vai além de ajudar; gentileza é cativar.

Faz válida a nossa existência ao produzir frutos que não apodrecem, mas se multiplicam.

É falar, mas é também calar.

E, muitas vezes, o silêncio é mais gentil que qualquer palavra amiga.

Quem é gentil cultiva um jardim dentro de si, não edifica castelos.

Castelos são feitos de tijolos, tijolos trazem peso.

Flores purificam, embelezam, trazem felicidade.

E o jardim permanece ali: gentil.

Com uma nova muda a cada gentileza.

Depois de um tempo, ele cresce sem que percebamos.

Os atos gentis tornam-se involuntários e, nesse momento, estamos floridos da cabeça aos pés.

Seja gentil, o mundo precisa da sua gentileza.

Doe-se e verá que, mesmo parecendo contraditório, se sentirá mais completo.

Martina Sarzi Neubüser

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