terça-feira, 17 de novembro de 2015

Lama, sangue é lágrimas


A lama, que outrora habitava os palácios da capital federal, agora se espalhou por cidades inteiras.

O Doce ficou amargo.

Morreu o rio.

Morreu a flora.

Morreu a fauna.

Sobrou o homem.

O homem e a sua ganância por dinheiro.

A sede de poder tirou a água de milhares de famílias e ceifou a vida de centenas.

O homem e a sua falta de amor.

A mesma falta de amor que espalhou sangue pelas ruas em Paris.

A mesma falta de amor que faz com que as pessoas discutam qual dor vale mais.

Como se uma lágrima pudesse ter mais importância que a outra.

Toda e qualquer dor vinda de um inocente deve ser respeitada.

Deve ser sentida.

Somos todos humanos, habitantes de um mesmo planeta.

O mundo é um só e seria um lugar melhor se nós não estivéssemos aqui.

Apesar da dor e o respeito serem os mesmos, o foco das câmeras é o que incomoda.

O fato de apontarem para lá para que paremos de enxergar o que está acontecendo aqui.

Talvez porque quem as comandam não têm a responsabilidade de resolver o problema de lá, mas são, ou pelo menos deveriam ser, responsáveis pelos daqui.

No entanto, por mais que seja revoltante, não sejamos tão mesquinhos.

Sentir compaixão pela dor alheia é um princípio básico de humanidade.

Oremos por Paris.

Choremos as perdas.

Lamentemos a falta de amor.

Clamemos por paz.

E, mais do que nunca, estendamos as mãos para o nosso povo.

Exercitar a solidariedade fará tão bem para você quanto para quem for receber a ajuda.

Perdemos um rio, mas que não percamos mais vidas.

Que as famílias desabrigadas encontrem novo lar.

Que as doações cheguem a quem mais precisa.

Que as lágrimas derramadas lavem a ganância de quem causou toda essa dor.

Que os responsáveis sejam identificados e devidamente punidos.

Que a sujeira política seja extinta de uma vez por todas.

Que a fé não seja motivo de guerra.

Que todo rio volte a ser doce.

Que a cidade luz volte a brilhar.

Que o barulho no estádio volte a ser no grito de gol.

E que a lama volte a ser apenas uma brincadeira infantil em um fim de tarde chuvoso.

Rafael Magalhães

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