segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Às vezes eu quero, às vezes não


Não há exatamente uma ordem.
Minha cabeça é meio estranha e eu já desisti de tentar me entender.
Nada de diferente, sou só mais um clichê no meio de tanta gente.

Tem dias que sim: o que eu mais quero é uma companhia para o famigerado cinema da sexta-feira. Tem outros, porém, que eu me prefiro em casa com a companhia do meu eterno amor: Netflix.
Eu sei que esse meu jeito não faz bem a mim mesmo, porque eu acabo nunca me decidindo exatamente sobre o que eu quero, mas enquanto não encontro uma solução para isso, eu respeito meu jeito.

Às vezes eu quero, às vezes não.
Às vezes eu me animo com o match no app do celular, às vezes eu tenho preguiça até de responder no Whatsapp.
Às vezes eu até compro uma roupa nova e invento uma moda no cabelo antes de sair, outras vezes eu só respondo o mais do que conhecido: “beleza, qualquer coisa eu te aviso” depois de um convite.

Como eu disse, reconheço que só eu perco com esse meu jeito – só eu ganho também.
Mas sabe, deixa eu explicar, eu tenho preguiça de roteiros – talvez isso contribua para o meu vício em postergar.
Tenho conhecido pessoas previsíveis demais e não precisa de muito para que eu identifique as reais intenções.
Entendo, no entanto, que nem sempre será assim e que alguém diferente pode aparecer, mas não tem aparecido.
É basicamente isso.

Ao mesmo tempo, olha como me falta parafuso, eu me pego pensando em como seria gostoso um novo alguém com aquele roteiro óbvio de frio na barriga, conhecer a família, primeiro beijo, histórias para lembrar, datas para comemorar, presentes para dar e tudo mais que tem direito.
Eu sei o quanto isso faz bem, mas, às vezes eu quero, às vezes não.

Indo bem além de toda essa parte fofa, às vezes eu quero sim facilitar para que alguém perceba o quanto eu só quero uma noite de sexo para me aliviar.
Às vezes eu quero sim acordar com alguém que eu nem sei direito o nome – só pra gente se fazer bem naquela noite.
Mas por outro lado, veja só, às vezes eu me canso disso tudo e acabo escolhendo ficar em casa com uma boa comida e um bom filme para me fazer gastar mais horas do que palavras.

Eu que não me atrevo a tentar me entender.
Vai ver é por isso que não exijo tanto, uma vez que eu não posso me comprometer a dar tudo o que me exigem.

Apesar de tudo isso, eu gosto do meu jeito.
E aqui assino o papel da maior loucura da face da Terra.
Explico: eu prefiro assumir que quero alguém e que no outro dia não quero mais, do que enrolar esse alguém só para ficar lá me esperando quando eu quiser.

Eu não cultivo expectativas para alimentar outras pessoas.
Apesar de me alimentar de algumas que cultivam.

Mas esse é o ponto: eu não julgo ninguém justamente porque eu não quero que me julguem.
Assim como já quis transformar aquele caso em algo maior, já quiserem comigo e eu não quis.

Às vezes eu quero, às vezes não.
Às vezes vou atucanar meus amigos com a minha ansiedade em ter uma resposta, às vezes vou estar com meus amigos sem a preocupação em ter que dar uma resposta.

Márcio Rodrigues



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