segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Você me deixa assim


Cantando refrões estranhos.
Rindo do que nunca vi graça.
E encontrando seu perfume nos ares do metrô.
Vez ou outra a vida ainda me brinda com uma coincidência de ouvir ou ler seu nome em lugares em que eu não esperava.
Acho que isso tem a ver com a gente querer que aconteça algo que faz bem pra gente, né?

Quando a gente quer o bem, o bem começa a querer a gente também.

E ando me sentindo meio bobo demais.
Mas é um bobo com “bo” de bom.
O frio na barriga vem me visitar só com o seu “Oi, tá fazendo o quê?” na notificação do celular.
É meio louco. Logo eu, que tão cedo sempre dormia, hoje não me incomodo em atravessar a madrugada falando com você sobre como foi o dia.
Você me deixa assim.

E eu não sei disfarçar.
Vou logo visitando o seu perfil no Instagram e, espalhafatoso que sou, acabo curtindo uma ou outra foto sua sem querer e pensando:
“Será que a notificação vai chegar?”,
“Será que se eu descurtir ela não vai perceber?”
Vou curtindo suas fotos enquanto não curto você, hehe.

O mais engraçado disso tudo é que eu nem sei nem o que temos.
Os aplicativos de relacionamentos me ensinaram a te chamar de crush, meus amigos preferem “um lance” e eu, bem, eu estou te chamando de apelidos no diminutivo.
Olha onde me enfiei! Como vou manter minha pose de durão diante dos apelidos que te dei?

Esse negócio de uma vida entrar na outra é um caminho sem volta.
É sempre o clichê de que ninguém esperava nada e quando damos conta, estamos lá: com a pessoa mais dentro da nossa vida do que nós mesmos somos.
E aí a gente passa a querer contar todos os detalhes, fazendo de uma volta ao trabalho um filme bom de se imaginar.

Você me deixa assim. Eu gosto disso.
Não vou renunciar meus sentimentos e mentir que não gosto desse começo com cheiro de futuro bom.
Também não vou me precipitar e reservar o melhor lugar da minha vida para você encostar a sua; já aprendi lições com a dor, mas estou gostando desse jogo sedutor de ver se o que temos um dia vai se chamar amor.

Você me deixa assim.
Falando de você mil vezes por dia.
Repetindo você para os mesmos amigos.
Enumerando qualidades sem ignorar defeitos.
Já mencionei os refrões que não saem da minha cabeça?
É que isso é bem louco mesmo.
Parece que as histórias que me conta ecoam na minha mente mil vezes por dia.
Até as suas gírias eu me vejo balbuciando.

É tudo muito estranho, mas tudo muito bom.
Sem rótulo para envelopar, mas com carinho bom de lembrar.

Você me deixa assim meio sem chão, mas a fé no meu coração me guia para te permitir.

Márcio Rodrigues. 



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