quinta-feira, 15 de outubro de 2015

E de novo caminho para o mar.


Sinto que hoje novamente embarco

Para as grandes aventuras,

Passam no ar palavras obscuras

E o meu desejo canta —- por isso marco

Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo

Aquele mundo

Que eu sonhara e perdera

Espera

O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos

Das mentiras alheias,

Finalmente solitárias,

As minhas mãos estão cheias

De expectativa e de segredos

Como os negros arvoredos

Que balançam na noite murmurando.

Ao longe por mim ouço chamando

A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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