sábado, 22 de julho de 2017

Quando o perfume da pessoa fica na nossa roupa


Vocês combinaram e saíram.

Inclusive saíram daquele papo de “vamos combinar um dia” e realmente combinaram.

Marcaram de fazer algo que os dois gostassem.

Tudo correu bem, tudo foi muito bom.

Uma despedida. “Adorei hoje”, “eu também”. E aí você voltou para casa.

E, no caminho de volta, percebeu que não estava sozinho.

Havia uma novidade te acompanhando nessa volta solitária e cheia de pensamentos que não paravam de nascer.

E você não percebeu essa novidade intencionalmente, foi algo que te surpreendeu e te deu até algum susto.

Havia um cheiro novo em você. Um cheiro que não estava com você na ida mas estava fazendo parte da sua volta.

Você puxou um pouco sua roupa e lá estava ele: o perfume da pessoa.

E você sorriu meio sem graça. Forçou com a memória para tentar lembrar-se de qual momento em que esse perfume saiu do corpo da pessoa para fazer parte da sua roupa.

E não conseguiu lembrar direito. Era uma sensação estranha, boa, mas estranha, sei lá, engraçada. Parecia que a pessoa estava voltando para casa com você. Era como se um pouco dela fosse dormir com você. Era aquele mesmo perfume que te roubou a atenção logo no primeiro oi. Lembra?

Você chegou em casa. Escolheu não tomar banho. Deixou sua roupa na cama e o mais louco aconteceu ao colocar a roupa de dormir: o perfume da pessoa ainda estava muito presente, ainda estava ali completamente e você se deu conta então que aquele perfume não estava só na sua roupa, mas sim na sua pele.

O perfume se agarrou ao seu corpo feito abraços no inverno. E perceber isso te levou de volta para aquelas horas atrás, aqueles momentos, todo o passeio e tudo o que houve. O perfume da pessoa te levou até ela novamente.

Não é só um perfume na roupa. É a pessoa toda.

Não é só um perfume. É um resgate de lembranças tão recentes, logo ali de antes do “me avisa quando chegar em casa?”.

É voltar para os bons momentos de horas atrás. É vir a mente de novo o jeito que a pessoa dá risada e a opinião dela sobre as coisas, das pequenas às maiores.

Não é só um perfume. É imaginar o momento em que essa pessoa fez o perfume beijar a própria pele. É pensar que, pelo menos durante o simples abraço de oi ou de tchau, você foi a pessoa mais perto dessa pessoa no mundo, você e o perfume dela se tornaram uma coisa só entre os braços.

É um pouco dessa pessoa ficando na gente também. É a gente ficando bem com esse perfume que ficou.

Não é só um perfume. É a escolha do perfume que essa pessoa fez pra encontrar com a gente, por mais que seja o perfume de sempre – por quê não ver o normal também como algo diferente?

E aí a gente até pensa: “Será que mando ou não uma mensagem contando que todo esse perfume ficou em mim?”
Quando a gente sorri ao perceber que o perfume da pessoa ficou na nossa roupa, a gente também pode começar a perceber que talvez sejamos nós querendo ficar na vida dessa pessoa.

por Márcio Rodrigues.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Porque a Força na Vida está com os que nunca desistem de tentar.


Se a Vida
me derruba para que eu aprenda,

eu me permito cair várias vezes só
para me levantar mais forte.

E cada vez que me ergo,
retorna comigo um pouco mais de quem sou
e uma vontade teimosa em continuar.

Porque a Força na Vida está com os que
nunca desistem de tentar.

Inês Seibert

Sejamos nossas boas notícias!


Então têm essas alegrias que nos assaltam timidamente,

que não fazem barulho nem alvoroço,

mas esquentam o peito,

acendem o olhar,

alargam o riso e nos intrigam

com a lembrança constante e discreta.

São alegrias gratuitas,

fontes de pureza e merecimento:

é um estado de estar atento,

é um instante de estar inteiro.

É tudo tão intenso.

Sejamos nossas boas notícias!

Marla de Queiroz

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Nada se atrasa nem adianta.


Não se preocupe com o que os outros desejam.

A cada um seus sonhos, suas obras.

Deseje-se Amor.

Deseje-se paz, deseje-se felicidade.

Deseje-se tudo de bom.

Deseje-se um navegar em águas claras e motivos para se alegrar intimamente, fazendo brotar no sorriso as luzes da alma.

Tenha calma.

Nada se atrasa nem adianta.

Tudo caminha no horário certo.

No tempo que as coisas acontecerão.

Continue tecendo seu caminho e dando linha ao coração.


Sil Guidorizzi.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Definitivo


Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...


Martha Medeiros

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Eu confio em Deus.


E ainda que haja pedra na estrada. 

Eu confio em Deus. 


Confio na força 

que Ele tem, confio porque todas as 


vezes que eu achei que não suportaria, 


Ele sempre, me fez levantar de novo. 


Por isso eu me mantenho em pé 


e com Fé. "

Taci Goes D.T

O chão frio da calçada...




O chão frio da calçada
é onde faço meu leito
e com fome me deito
toda madrugada.

Ponho-me de mãos estendidas
com os olhos no vazio
enquanto secretamente me rio
quando escandalizam minhas feridas.

Sou chaga aberta nas ruas
coberto de panos rasgados
recolhendo alguns trocados
cobiçando coisas tuas.

Não finjas que não me vês estendido
nem desvies os olhos de minha figura
não reproves minha falta de compostura
pois sou o que poderias ter sido.

(Mauro Gouvêa)

sábado, 15 de julho de 2017

Quando lembro, eu agradeço.


Quando lembro de cada nova muda de afeto que recebo e vejo florescer devagarinho no meu jardim,

a lembrança afasta as nuvens momentâneas e deixa o céu à mostra.

Faz um sorriso sereno acontecer em mim.

Acende uma música que a gente só consegue ouvir quando a palavra descansa.

Quando lembro que crescer é, no íntimo, um exercício solitário,

mas que não estamos sozinhos na sala de aula,

saboreio o conforto dessa recordação.

Somos mestres e aprendizes uns dos outros, o tempo todo.

Estudamos, lado a lado, inúmeras lições,

mas também criamos espaço para celebrar os mágicos momentos de recreio.

Às vezes, com alguma leveza, até descobrimos juntos um segredo libertador:

o aprendizado e o recreio não precisam acontecer separados.

Quando lembro o quanto as nossas vidas se entrelaçam amorosamente com outras vidas

nessa tapeçaria de fios sutis dos encontros humanos,

a gratidão emerge e se espalha, em ondas de ternura, por toda a orla do peito.

Diante de tantas incertezas, essa verdade perene:

o amor compartilhado é o sábio curador.

Quando lembro, eu agradeço.

E respiro macio.

Ana Jácomo

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Amor é querer ser amado


Amor é real, real é o amor
Amor é sentir, sentir amor
Amor é querer ser amado

Amor é tocar, tocar é amor
Amor é alcançar, alcançar amor
Amor é pedir para ser amado

Amor é você
Você e eu
Amor é saber
Que podemos ser

Amor é ser livre, livre amor
Amor é viver, viver amor
Amor é amar e precisar ser amado...


John Lennon

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Não preciso de aprovações e sim de amigos


Posso ser falho, 

cheio da razão, 

esquentado, 

soar arrogante às vezes, 

mas se tem algo que não sou é omisso. 

Se vejo algo errado, digo. 

Se fico pê-da-vida com alguma coisa, falo mesmo. 

E não tem essa - para mim todos são iguais -, 

respiramos e dividimos o mesmo ar, 

ninguém é feito de aço e eu também não sou. 

Prefiro que a minha sinceridade machuque 

do que ver alguém sofrendo por falta de amor do outro. 

Sou assim, intenso no que sinto, 

ora ternura, 

ora ventania, 

ora brisa, 

ora vulcão. 

Esse sou eu. 

Não preciso de aprovações e sim de amigos 

que saibam que reciprocidade também é cuidado.


( Vitor Ávila )
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